Em que momento ministros do STF passaram a atuar publicamente como políticos é difícil precisar. O texto da coluna de Thaís Oyama, no O Globo, cita episódios envolvendo Alexandre de Moraes, como sua atuação pela indicação de nomes próximos ao governo Lula para o TSE e o jantar que reuniu Lula, Davi Alcolumbre, Moraes e Cristiano Zanin para tratar da relação entre Planalto e Congresso.
O argumento central é que ministros que entram no campo da articulação política também passam a ter suas decisões interpretadas sob essa lógica. Segundo Thaís Oyama, é o que ocorre agora com Moraes: diante de sua atuação política e de investigações que o relacionariam ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a decisão de quebrar o sigilo da fonte de um jornalista no caso envolvendo Flávio Dino não poderia ser analisada apenas pelo aspecto jurídico.
Entre as interpretações políticas levantadas pela coluna está a possibilidade de a decisão funcionar como um recado a jornalistas que incomodam o ministro e, ao mesmo tempo, como uma forma de proteger e fortalecer Flávio Dino dentro do STF.