O endividamento das famílias brasileiras chegou a 82% em julho de 2026, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O problema é maior entre as famílias de menor renda: 84,9% dos que ganham até três salários mínimos estão endividados, e 38,5% estão inadimplentes. Como esse grupo tem maior peso no consumo, economistas alertam que o aumento das dívidas pode reduzir os gastos das famílias e pressionar a economia a partir de 2027.
A situação também é mais delicada quando comparada a períodos anteriores. Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias equivale atualmente a 49,7% da renda disponível, acima dos 38,2% registrados em março de 2014. O comprometimento da renda com juros e amortizações também aumentou, de 22,9% para 29,3%. Entre as famílias que ganham até três salários mínimos, 17,8% afirmam que não terão condições de pagar as dívidas em atraso.
O cenário preocupa porque o consumo das famílias é um dos principais componentes do PIB. Estudo do BTG Pactual citado pela reportagem projeta que, com a redução dos estímulos fiscais e a manutenção de juros elevados, o crescimento real do consumo pode ficar em 0,8% em 2027. Em um cenário mais negativo, com forte redução da oferta de crédito, o consumo poderia recuar 0,4%, aumentando o risco de desaceleração da economia.
Com informações da Gazeta do Povo