Durante sabatina da TV Globo nesta quinta-feira (27), o presidente Lula chamou a lobista Roberta Luchsinger de "pilantra" e negou qualquer proximidade com ela, apesar de fotos publicadas pela própria empresária mostrarem os dois juntos em pelo menos três ocasiões. A pergunta que se impõe é: como Roberta reagirá a esse distanciamento público do presidente?
A resposta pode não ser simples. Em março, a revista Veja revelou que um emissário de Roberta levou a um auxiliar de Lula um recado direto: ela "não aceita" ser abandonada, exigia proteção e avisava que "não cairá sozinha", sinal de disposição para revelar informações sensíveis caso se sentisse isolada.
Esse histórico ganha peso diante das investigações da PF, que apontam que Roberta mantinha, com Lulinha e o empresário Fernando Bittar, um núcleo permanente de atuação para intermediar interesses privados no governo, o grupo "Musaranhos". Em mensagens reveladas por Veja, a própria lobista descrevia sua atuação: "Somos governo. Tem que pedir tudo e fazer, né?".
Esse contraste entre o discurso oficial de isolamento e o histórico documentado de proximidade é o que torna o momento delicado, exatamente o cenário que ela já havia sinalizado não tolerar.
Diante disso, os caminhos mais plausíveis incluem: maior cooperação com investigadores, caso interprete a fala como confirmação de abandono; resposta pública mais contundente, com novos registros que reforcem sua narrativa de proximidade com o Planalto; e escalada jurídica, já iniciada pela defesa ao pedir ao STF a retirada do sigilo das investigações. Se a postura anunciada em março se confirmar, o caso "Musaranhos" pode ter ainda mais desdobramentos capazes de atingir o núcleo político do presidente.