O patrimônio do senador Jaques Wagner (PT-BA) cresceu 631% em oito anos, segundo declaração enviada por ele próprio à Justiça Eleitoral. Em 2018, quando concorreu pela última vez, ele havia declarado ter R$ 3,4 milhões em bens. Para a disputa de 2026, na qual busca a reeleição pela Bahia, o valor informado subiu para R$ 24,5 milhões, dados que se tornaram públicos nesta segunda-feira (3) no site do TSE.
A alta patrimonial não se restringiu ao senador. Segundo apurações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, o patrimônio da família de Wagner também cresceu no mesmo período em que recaem sobre o petista suspeitas de favorecimento ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. A empresa da qual a nora do senador é sócia recebeu pagamentos mensais do Master ao longo de anos, além de R$ 3,5 milhões pagos pela quebra de contrato, valor que o próprio Wagner reconheceu ser "muita coisa", embora alegue origem legal para os recursos.
É nesse contexto que se insere o episódio do apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador. A PF apura se o imóvel, localizado no bairro Horto Florestal e ainda em construção, foi oferecido a Wagner como vantagem indevida por Augusto Lima, ex-sócio e ex-CEO do Banco Master, também preso na operação. O próprio senador confirmou ter pedido a Lima que comprasse o apartamento, sob a alegação de que pretendia destiná-lo à sua filha e que faria depois a recompra do imóvel, já que não tinha recursos disponíveis no momento em que o negócio foi fechado, no fim de 2024.
Segundo a Polícia Federal, as negociações para a aquisição do imóvel continuaram mesmo após a prisão de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, por meio do que os investigadores classificaram como "manobras contratuais executadas com o propósito de evitar a descoberta do negócio ilícito". Wagner nega irregularidades e afirma que a negociação, embora "nebulosa", ocorreu às claras. "O caminho dos corruptos não é esse", declarou.
Wagner lançou sua candidatura à reeleição no último sábado (1º), em evento que contou com a presença do presidente Lula.