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Alfredo Gaspar (União-AL) -
politica

Prisões de Lula e Lulinha e acusações contra STF: O histórico de Alfredo Gaspar

O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS e ex-promotor de Justiça, se tornou um dos nomes mais controversos do noticiário político em 2026. Responsável por conduzir a investigação sobre o megaesquema de fraudes em benefícios previdenciários, ele acumulou uma série de episódios de embate direto com o governo Lula, com colegas parlamentares e até com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em janeiro, Gaspar pediu ao STF a aplicação de tornozeleira eletrônica em Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, sob a justificativa de risco de fuga. O parlamentar já alegava, na época, que Lulinha estaria "atolado até o pescoço" na fraude do INSS por sua relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Em março, ao apresentar o relatório final da CPMI, Gaspar foi além e solicitou formalmente a prisão preventiva de Lulinha, alegando que a saída do empresário do Brasil, rumo à Espanha, configurava indício de evasão do distrito da culpa. O relatório incluiu ainda pedido de indiciamento de 216 pessoas, entre elas o próprio filho do presidente.

Foi durante a leitura desse relatório que o episódio mais grave da carreira de Gaspar veio à tona. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) o acusaram publicamente de ter engravidado uma adolescente de 13 anos em 2018, chamando-o de "estuprador" durante a sessão.

Gaspar negou terminantemente as acusações, afirmando que o caso envolvia um primo seu e não ele próprio, e classificou a denúncia como "falsa, leviana e absolutamente irresponsável", além de acusar os colegas de tentarem desviar o foco das investigações da CPMI. Em resposta, acionou o STF, a PGR e a Polícia Federal contra os dois parlamentares, e prestou queixa formal na Corregedoria da Câmara. Em abril, a própria PF pediu ao STF autorização para investigar Gaspar por conta da denúncia, com o caso sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

Ao longo do processo, Gaspar também protagonizou uma sequência de embates públicos com ministros do STF. Em março, acusou a Corte de decidir "de acordo com as conveniências" e sugeriu que o governo federal exerceria influência sobre os julgamentos que envolviam a continuidade da CPMI. Em dezembro de 2025, elogiou o ministro André Mendonça por supostamente "tratorar a blindagem de Lulinha" ao autorizar ações da PF contra investigados no esquema. Mas em julho de 2026, mudou o tom e acusou a cúpula da Polícia Federal de tentar impedir o acesso de Mendonça aos autos da investigação, numa manobra que, segundo ele, teria como objetivo "proteger o Lulinha".

O ápice das declarações mais duras ocorreu em junho, quando o Ministério da Justiça determinou a devolução de policiais federais cedidos a gabinetes de ministros do STF, incluindo delegados que assessoravam Mendonça nos casos do Banco Master e do INSS. Gaspar interpretou a medida como obstrução de justiça e chegou a pedir, publicamente, a prisão imediata do presidente Lula. "Se fosse qualquer outro personagem, o STF já tinha decretado a prisão por obstrução da justiça. STF, prisão para Lula já", declarou o deputado, em manifestação classificada por analistas como um discurso de forte apelo político, mas sem respaldo jurídico imediato, já que presidentes da República em exercício têm proteção institucional contra esse tipo de medida.

O conjunto dos episódios consolidou Gaspar como uma figura de atuação combativa e polarizadora no cenário político, ao mesmo tempo em que sua condução da CPMI do INSS o transformou em um dos protagonistas centrais das investigações que hoje atingem o entorno do presidente Lula.

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