A decisão do ministro do STF André Mendonça de enviar à Procuradoria-Geral da República relatório da Polícia Federal detalhando mensagens de celular trocadas entre o seu colega e principal rival, ministro Alexandre de Moraes, e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, preso por comandar o maior esquema de fraude financeira da história, torna evidente o tamanho da crise no Supremo.
Com a divulgação das mensagens pelos repórteres Felipe de Paula, Fausto Macedo e Aguirre Talento, do Estado de S. Paulo, Mendonça empurra a PGR a duas decisões: ou concorda que existem indícios para investigar Alexandre de Moraes, abrindo a possibilidade de um futuro afastamento seja por decisão dos demais ministros do STF ou por um processo de impeachment pelo Senado, ou recusa o pedido de Mendonça e amplifica o discurso de dezenas de candidatos ao Senado pelo país de que o STF é uma ‘casa de intocáveis’. A decisão de incluir Alexandre de Moraes no processo é exclusiva do procurador-geral Paulo Gonet. A competência da investigação é do Ministério Público e não do STF.
Faltando 33 dias para a escolha de 54 senadores, Mendonça transformou Alexandre em personagem central das eleições.
Mendonça tomou a decisão depois de semanas se queixando de que o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, boicotava as suas investigações. Em um dos diálogos divulgados hoje, o banqueiro Vorcaro pergunta Alexandre de Moraes em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso pela primeira vez, se seria possível “reverter” o avanço das investigações contra o Banco Master.
— Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso — escreveu o banqueiro. Segundo suspeita a investigação o “Paulo” é o procurador-geral Paulo Gonet, e o “Andrei” é Andrei Rodrigues da PF.
Thomas Traumann - O Globo