Em manifestação enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, negou ter promovido qualquer monitoramento ilegal do ministro André Mendonça e afirmou que os relatórios de inteligência produzidos pela corporação foram elaborados de forma regular, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a defesa apresentada nesta sexta-feira (11), os documentos questionados na decisão de Mendonça não resultaram de ações de vigilância, coleta clandestina de dados ou qualquer medida invasiva. "Não existiu, em absoluto, qualquer monitoramento ilícito de ministro deste E. STF e tampouco do Ilmo. Advogado-Geral da União", sustentou o delegado. Rodrigues afirmou que sua atuação se limitou ao cumprimento de uma ordem judicial e pediu a rejeição do pedido de afastamento.
O caso teve início na terça-feira (8), quando Mendonça, relator do processo do Banco Master no STF, determinou o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, sob alegação de que ambos participaram da produção de relatórios que monitoravam sistematicamente sua atuação. Na decisão, Mendonça afirmou que ao menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto, analisando suas decisões, suas relações institucionais e a atuação de integrantes da AGU e da própria PF.
O ministro também afirmou que Moraes teve conhecimento prévio da existência desses relatórios antes de determinar formalmente sua apresentação. Segundo Mendonça, a própria decisão de Moraes que exigiu os documentos indica que ele já havia recebido "notícias da existência" do material, encaminhado formalmente por Rodrigues em ofício assinado em 1º de setembro. O material foi posteriormente utilizado por Moraes na tentativa de incluir Mendonça no inquérito das fake news.
A decisão de afastamento foi referendada por maioria na Segunda Turma do STF, com os votos de Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Gilmar Mendes pediu vista e defendeu que o caso seja analisado em plenário. No dia seguinte, Rodrigues e Almada retornaram aos cargos após decisão do presidente do STF, Edson Fachin, atendendo a pedido da Advocacia-Geral da União.
Fachin deu um prazo de 48 horas para que Rodrigues apresentasse sua defesa. Agora, o presidente do STF decidirá se o diretor-geral da PF será mantido no cargo ou afastado definitivamente.