Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sugerem que o ex-banqueiro se encontrou com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos dias 14 e 16 de novembro de 2025 — respectivamente três dias e um dia antes de sua primeira prisão, ocorrida em 17 de novembro. As informações foram publicadas originalmente pelo Estadão (Blog do Fausto Macedo) e confirmadas em reportagens do G1, do Valor Econômico, da CBN e do O Globo.
Segundo o Estadão, diálogos recuperados pela Polícia Federal mostram que, em um período de 20 dias, entre 28 de outubro e 16 de novembro, Vorcaro enviou ao menos 15 mensagens tratando de encontros com Moraes. No sábado, 15 de novembro, às 21h23, o banqueiro escreveu: "Podemos nos ver amanhã rapidamente algum horário?". No domingo seguinte, 16 de novembro, ele sugeriu: "Vou na parte da tarde então. Às 14 então. Passo na sua casa ou prefere na minha?" — reprodução divulgada também pela Gazeta do Povo.
O encontro foi confirmado por uma anotação de Vorcaro contendo apenas a palavra "Fechado". Para cumprir o compromisso, ele viajou a Brasília e, às 13h40 daquele domingo, enviou uma nova mensagem a Moraes: "Já estou em voo, vou pousar 14h20 e irei direto praí, tudo bem?".
De acordo com o Valor Econômico, o relatório da PF também registra, no mesmo período, pedidos de Vorcaro para que Moraes intercedesse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, além de uma pergunta direta sobre se deveria deixar o país: "Acha que segunda já tenho que estar fora?", questionamento reproduzido pela CBN.
No dia seguinte ao segundo encontro, na noite de 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes Unidos, no âmbito da Operação Compliance Zero, que apurava a emissão de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
Segundo o G1, um documento da PF com sigilo retirado em 10 de setembro reforça a tese de que Vorcaro já tinha conhecimento da operação policial antes de sua deflagração, o que tornaria "improvável" que a tentativa de viagem ao exterior na véspera fosse mera coincidência.
O Estadão informou ter pedido manifestação de Alexandre de Moraes sobre os encontros, mas o espaço permanecia aberto até a publicação da reportagem. A defesa de Vorcaro afirmou que não se manifestaria sobre o conteúdo das mensagens.