Os ministros Luiz Fux e Gilmar Mendes protagonizaram um dos bate-bocas mais intensos da primeira parte do julgamento desta terça-feira (15), na discussão sobre a abertura ou não da investigação contra Alexandre de Moraes.
O confronto ocorreu quando os dois divergiram sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado a pedido de André Mendonça.
"Qualquer cidadão que tenha o mínimo de noção do que significa a Polícia Federal, que é um órgão armado, submetido à hierarquia, não faria afastamento de um diretor-geral da Polícia. É como afastar o diretor-presidente da NASA, tirar o comandante do Exército", disparou Gilmar, chamando a decisão de "vexame". "O sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa", completou.
Fux, presidente da Segunda Turma, rebateu de imediato e elevou o tom da discussão, acusando a corporação de atuar de forma paralela dentro da própria instituição.
"Sou ministro há 16 anos, nunca vi a Polícia Federal peitar um ministro do Supremo Tribunal Federal. Temos hoje uma PF paralela, uma PF paralela, com monitoramento de ministros", declarou, segundo o ND Mais. "Só essa remessa desse documento apócrifo já é um exemplo significativo desses desvios praticados pela Polícia Federal", acrescentou.
O momento de maior tensão do embate veio quando Fux cobrou coerência do próprio decano, lembrando um episódio de 2008 em que Gilmar Mendes, então presidente do STF, teve uma conversa telefônica com o senador Demóstenes Torres grampeada e vazada, e reagiu pedindo a demissão do então diretor-geral da PF e da Abin, Paulo Lacerda.
"Quando Vossa Excelência atravessou aqui a avenida e foi lá pedir a demissão de um diretor da Polícia Federal, Vossa Excelência, você se recorda do diretor?", questionou Fux, em referência direta à conduta do colega no passado.