O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido da Polícia Federal para realizar busca e apreensão contra o candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), no âmbito da 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada nesta quinta-feira (17). A decisão do ministro, relator do caso, contrariou parecer favorável emitido pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O pedido de buscas contra o ex-prefeito de Salvador havia sido apresentado pela PF ainda em janeiro, antes do início do período eleitoral, e recebeu manifestação favorável da PGR em fevereiro. Segundo apurou o Estadão, Nunes Marques só proferiu a decisão autorizando a nova fase da operação nas últimas semanas — vetando, porém, a inclusão de ACM Neto entre os alvos das medidas de busca. A decisão permanece sob sigilo.
Investigação e alvos
A Overclean apura suspeitas de fraudes em contratos fechados entre 2024 e 2025 pela secretaria municipal de Educação de Belo Horizonte, que somam mais de R$ 80 milhões. Nesta fase, a PF cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em seis estados — Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo.
Entre os principais alvos estão o empresário José Marcos de Moura, conhecido como "Rei do Lixo", Alex Parente e Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Belo Horizonte. Segundo a PF, Barral teria sido indicado por ACM Neto ao cargo com o objetivo de beneficiar empresários já selecionados previamente em licitações públicas, em esquema no qual parte dos valores contratados retornaria ao grupo na forma de propina.
ACM Neto é apontado pela PF como o principal investigado no caso e é vice-presidente nacional do União Brasil. Segundo a apuração, ele teria indicado Barral — então secretário de Educação de Salvador — para o mesmo cargo em Belo Horizonte, viabilizando a assinatura de contratos entre a prefeitura mineira e empresas ligadas a Alex Parente, por intermédio do "Rei do Lixo".
A PF afirma que os fatos investigados podem configurar crimes contra a administração pública, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Procurado, ACM Neto ainda não se manifestou sobre o caso.