Uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil aponta que o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria controle, em tese, de 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital paulista. O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), aparece entre os investigados e é citado como responsável direto pela operação de algumas dessas empresas. Policiais militares também afirmaram, em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, que ele seria o dono de fato da Transwolff, empresa de ônibus da capital paulista.
As informações constam de decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que determinou a prisão temporária de 13 investigados. O despacho, assinado pelo desembargador Sérgio Ribas, atendeu a pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e é um desdobramento da Operação Decurio.
Segundo a decisão, os investigadores analisaram mensagens extraídas de celulares, documentos e informações financeiras e encontraram indícios de vínculos entre os investigados e integrantes ou colaboradores do PCC. O tribunal autorizou prisões, buscas e apreensões, além de acesso aos dados dos equipamentos apreendidos.
Operação Vectura Corrupta
As empresas suspeitas foram alvo da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo MPSP. A ação cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Milton Leite não foi localizado até o momento e é considerado foragido; em entrevista a outro veículo, negou fuga e afirmou estar em viagem de campanha eleitoral, prometendo se entregar em até 24 horas.
Entre os presos estão Júlio Salvador Filho, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, Levi dos Santos Oliveira (ex-presidente da SPTrans), Carla de Paula Muller (apontada como esposa de um integrante do PCC identificado como "Granada"), Edivania Arruda Botelho Alves, André Cassali, José Ronaldo Alves de Sales, Edson Antonio de Souza e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL.
Empresas que possuem mais da metade do sistema
As 12 empresas investigadas concentram mais da metade de todo o sistema de ônibus da capital paulista — o maior da América Latina e um dos cinco maiores do mundo. Criadas a partir de cooperativas de transporte, elas operam no chamado subsistema local, que atende bairros mais afastados e responde por 6.029 dos 13.690 ônibus da frota total da cidade.
Segundo o MPSP, a atuação do PCC identificada pela investigação extrapolaria o tráfico de drogas, envolvendo empresas de transporte, uso de pessoas interpostas, contratos públicos, articulações políticas e estruturas ligadas à área da saúde. As autoridades também apuram o financiamento de campanhas eleitorais de 2024 por parte da organização criminosa.