Mergulhado na maior crise institucional de sua história, o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um cenário de forte desconfiança por parte da população. Segundo pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta terça-feira, 22, seis em cada dez brasileiros dizem não confiar no STF, enquanto 34% afirmam ter confiança na Corte.
O levantamento foi realizado entre 17 e 21 de setembro, ou seja, após a tumultuada sessão plenária em que ministros discutiram a possível abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes. A análise do caso acabou adiada após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
O pedido de abertura de investigação contra Moraes ocorreu após o Estadão revelar, no dia 1.º de setembro, detalhes de mensagens trocadas entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os diálogos, extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular do dono do Master, mostram o banqueiro pedindo auxílio e orientações a Alexandre de Moraes sobre as investigações envolvendo o banco.
Moraes, no entanto, não é o único ministro a ter sua relação com Vorcaro exposta. Outros cinco integrantes da Corte aparecem entre as conexões políticas do banqueiro, como mostra o especial “Vorcarosfera”, do Estadão. São eles: Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes e Luiz Fux.
A confiança dos brasileiros no STF chegou neste mês ao menor patamar numérico da série histórica da Atlas, iniciada em janeiro de 2023, no primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Naquele mês, 42% dos brasileiros diziam confiar no STF; agora, são 34%.
O índice de confiança na Corte caiu de 49% para 35% entre agosto de 2025 e março deste ano, em meio às revelações sobre o envolvimento de seus integrantes com o Master. De março para cá, o índice variou dentro da margem de erro da pesquisa.
A Atlas ainda testou a confiança da população em outras 12 instituições. O Congresso Nacional registra o maior nível de desconfiança: 81% dizem não confiar no Legislativo federal. Já as polícias civil, federal e militar registram os maiores índices de confiança, conforme gráfico abaixo:
A desconfiança também é majoritária quando os brasileiros são questionados sobre o trabalho e os próprios ministros do Supremo Tribunal Federal. Segundo o levantamento, 61% dizem não confiar no trabalho e nos ministros da Corte, enquanto 27,8% afirmam confiar e 11,1% não souberam responder. O índice de confiança caiu 6,2 pontos porcentuais entre março e setembro, de 34% para 27,8%.
A desconfiança varia entre os diferentes segmentos do eleitorado. Ela chega a 81,9% entre jovens de 16 a 24 anos, 77,9% entre os evangélicos e 93,7% entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição de 2022. Entre os que votaram em Lula, o índice é de 28,9%.
A Atlas pediu aos entrevistados que avaliassem o desempenho dos ministros do STF em nove diferentes questões, que vão da defesa da democracia ao combate à corrupção. A pior avaliação se dá na imparcialidade dos ministros ao julgar casos de grupos políticos rivais: 75% consideram ruim ou péssima a atuação da Corte nesse aspecto, contra 9% que a classificam como ótima ou boa. O combate à corrupção aparece em seguida, com 66% dos entrevistados classificando a atuação dos ministros como ruim ou péssima, enquanto 17% a consideram ótima ou boa.
Entre os nove aspectos, os melhores resultados aparecem na defesa da democracia e no respeito ao Poder Legislativo.
A pesquisa ouviu 1.852 brasileiros por meio de recrutamento digital aleatório (pela internet) entre os dias 17 e 21 de setembro. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
Estadão