A tentativa de colocar André Mendonça e Alexandre de Moraes no mesmo lado da balança, como se os dois estivessem envolvidos em situações equivalentes, é questionada diante do conteúdo dos casos. Mendonça passou a ser alvo de um pedido de investigação de Moraes por supostas irregularidades na condução do processo que revelou mensagens entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A origem da investigação contra Moraes é justamente o relatório da Polícia Federal que identificou 51 mensagens entre Vorcaro e um número atribuído ao ministro. Mendonça determinou que a PF apurasse a quem pertencia o telefone. Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionam a legalidade da medida e afirmam que Mendonça teria extrapolado suas funções como relator.
O presidente do STF, Edson Fachin, colocou os dois casos sob sua análise e abriu prazo para as manifestações dos envolvidos. A partir disso, surgiu a tese de que haveria um “empate”: se Mendonça cometeu irregularidades no processo, Moraes também estaria sendo questionado por fatos relacionados ao mesmo caso. Mas os episódios não são iguais: um envolve o conteúdo das mensagens que levou à apuração sobre Moraes; o outro trata da forma como Mendonça conduziu a investigação.
Carlos Alberto Sardenberg - O GLOBO