A relação entre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido alvo de questionamentos após o registro de diversos encontros entre os dois fora da agenda oficial da Presidência da República. Segundo análises críticas ao governo, o volume desses encontros informais indicaria um vínculo de proximidade incompatível com a independência que se espera do comando da corporação.
A controvérsia ganha relevância num momento em que o próprio Rodrigues é investigado pelo Ministério Público Federal por suspeita de vazamento de informações sigilosas da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em aposentadorias e pensões do INSS — caso que atinge, entre outros, aliados ligados ao entorno do presidente.
Para críticos do governo, a frequência de reuniões não registradas oficialmente entre o diretor-geral da PF e o chefe do Executivo contraria o princípio de que a Polícia Federal deveria manter total autonomia em relação ao Palácio do Planalto, sem qualquer tipo de relação de proximidade ou subordinação pessoal ao presidente da República.
O tema ressurge também associado a episódios anteriores, como o encontro de Rodrigues com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujas explicações o próprio Lula afirmou não ter considerado convincentes — e que, apesar disso, não resultou no afastamento do diretor-geral do cargo. Rodrigues também permaneceu na função mesmo após ser afastado temporariamente por decisão do ministro André Mendonça, do STF, revertida posteriormente pelo ministro Flávio Dino.
A Presidência da República e a Polícia Federal não se manifestaram sobre os encontros fora da agenda nem sobre as suspeitas de proximidade indevida entre Rodrigues e o presidente Lula.