Se a oposição não fizer o próximo presidente do Senado, seja Rogério Marinho ou Tereza Cristina no lugar de Davi Alcolumbre, a derrota significará uma desmoralização ainda maior do que a de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Significará principalmente um cheque em branco aos suspeitos de sempre da história de sempre.
Teremos Alcolumbre mandando ainda mais no pedaço, em parceria estreitada (pelo bem do Brasil) com o ministro Alexandre de Moraes, tornado irremovível e, a partir do segundo semestre, na presidência do STF, que é para arrebentar a boca do balão.
Acrescente-se ao quadro a permanência de Hugo Motta na presidência da Câmara, e os brasileiros que nutrem a vaga esperança de que se faça alguma coisa certa um dia, sei lá, poderão deixá-la à porta do inferno.
O inferno é aquele lugar no qual Lula, totalmente entregue aos próprios e baixos instintos no outono da existência, à extrema esquerda que o ajudou no momento janônico da campanha de segundo turno e a um Congresso voraz, fará no máximo uma gambiarrinha fiscal para um mercado obrigado a fingir que é ajuste, mas sem poder fingir completamente, porque isso é coisa de poeta.
A falsa crença irá até determinado ponto, e o ponto será o bem passado dos gastos do governo em permanente alta, apesar dos estelionatos eleitorais aplicados em quem vai esquecê-los rapidamente, assim como o dos impostos lá em cima como nunca, estes, sim, inesquecíveis, inclusive um IVA, viva, da ordem de 30% ou mais.
Quando o inferno tiver alcançado níveis abrasadores, talvez um Deus ex machina, na forma de recessão econômica, surja para iniciar uma crise política que faça rolar a cabeça do presidente já meio sobre o senil, esfriando o ambiente e nos recolocando no caminho da nossa anormalidade habitual.
Tudo ao custo de sacrifícios adicionais, é claro, embora jamais da parte dos Alcolumbres, Moraes e Mottas, é evidente, mas não importa, tudo bem, pessoal: a gente aqui embaixo gosta de sofrer em prol das causas vendidas como boas, visto que agora a coisa vai, finalmente.
Quer chamar esse eterno retorno de esperança? Por favor, fique à vontade, afinal a casa é sua, ou você pensa que é.
MÁRIO SABINO - METRÓPOLES