O ministro André Mendonça protagonizou nesta terça-feira (16) um dos momentos mais tensos da história recente do Supremo. Em sessão presencial da Segunda Turma, respondeu às críticas de Gilmar Mendes — que comparou a condução do caso Banco Master à Lava-Jato — e foi direto: "Não estamos aqui a julgar Lava-Jato. Estamos a julgar a maior fraude financeira da história do país."
Isso porque GIlmar Mendes havia votado pela soltura do pai e do primo de Daniel Vorcaro, ex-banqueido dono do Master. Disse que a prisão de familiares de acusados foi uma tática usada na Lava Jato, para forçar uma delação.
André Mendonça foi para cima. Descreveu o que a Polícia Federal encontrou por trás da fraude bilionária: uma organização com sicários, fuzis, metralhadoras, armas raspadas, policiais federais infiltrados e empresários do jogo do bicho. "Não é simplesmente crime do colarinho branco. Aqui há contornos de máfia", afirmou.
Mendonça resgatou conversa com o próprio Gilmar, de antes de sua indicação ao STF: "Vossa Excelência disse que para ser ministro do Supremo é preciso coragem. Respondi na ocasião: não tenho medo da morte, quanto mais de ser ministro de um tribunal." Disse ainda que não busca holofotes, não dá entrevistas e que levou quatro anos na Corte para decretar a primeira prisão. "Não tenho prazer em prisão. Seria abjeto prender para delação e eu não me presto a trabalhos abjetos."
O momento mais grave veio no final. Mendonça admitiu, sem rodeios, que pode ser alvo da própria organização que investiga: "Talvez seja muito simples acabar com a investigação. Basta alguns desses desconhecidos atentar contra a integridade física do relator. O polo mais frágil sou eu. Mas é preciso ter coragem."
O placar foi 3 a 1. Nunes Marques acompanhou Mendonça e Fux, mantendo as prisões preventivas do pai e do primo de Daniel Vorcaro. Gilmar ficou isolado.