A justificativa apresentada pelo líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para explicar a origem do dinheiro em espécie apreendido pela Polícia Federal passou a ser questionada após levantamento mostrar divergências entre os valores informados pelo parlamentar e os registros oficiais de diárias recebidas.
Wagner afirmou que os dólares e euros encontrados em seus endereços seriam resultado de diárias acumuladas em viagens internacionais realizadas desde 2019. No entanto, levantamento divulgado pelo Estadão aponta que o senador recebeu, no período, cerca de US$ 63 mil e 1,4 mil euros em diárias, enquanto a PF apreendeu US$ 65.795 e 39 mil euros.
Especialistas ouvidos pela reportagem consideraram a explicação insuficiente. O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção (Inac), Roberto Livianu, afirmou que não parece razoável atribuir todo o montante às diárias de viagens. Já representantes da Transparência Brasil e da Transparência Internacional destacaram que a manutenção de grandes quantias em espécie dificulta a rastreabilidade dos recursos e levanta questionamentos sobre a origem do dinheiro.
Jaques Wagner é investigado por suspeitas de ligação com o esquema do Banco Master e nega qualquer irregularidade.