O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a inauguração do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), nesta terça-feira (2), para fazer ataques diretos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu provável adversário nas eleições presidenciais de outubro. O evento, financiado com recursos públicos e transmitido pelas redes oficiais do governo, rapidamente deixou de ser institucional para se tornar um comício político.
O estopim foi a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Lula atribuiu a medida à reunião de Flávio Bolsonaro com o secretário de Estado americano Marco Rubio e à foto do senador com Donald Trump, publicada com a legenda "smart young man". Para o presidente, os filhos de Bolsonaro teriam incentivado a retaliação comercial contra o próprio país.
"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. São vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores", declarou Lula, que ainda classificou a família como "família metralha" e "a pior espécie de ser humano". Em seguida, convocou a plateia: "Vocês têm que dizer isso."
O momento mais polêmico veio quando Lula fez referência à Inconfidência Mineira: "Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria? Pensem, pensem, meditem." A fala contém um erro histórico — Silvério dos Reis foi recompensado pela Coroa; quem morreu enforcado foi Tiradentes.
A reação foi imediata. Flávio Bolsonaro anunciou que acionará o Supremo Tribunal Federal contra Lula, alegando crimes de ameaça e incitação ao crime. Em nota, o senador afirmou que "Lula disse que ele deveria ter o mesmo destino que Tiradentes e ser morto por enforcamento".
O episódio levanta questões sérias sobre os limites do discurso presidencial em eventos oficiais. A cinco meses da eleição, o uso da máquina pública como plataforma de ataque a um pré-candidato adversário pode configurar, segundo especialistas, abuso de poder político — a mesma conduta que gerou consequências graves para o antecessor de Lula.
A Presidência da República não se manifestou oficialmente sobre as críticas à fala do presidente até o fechamento desta reportagem.