A decisão do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e dono do Banco Pleno, de mudar sua equipe de defesa e sinalizar disposição para falar sobre as investigações do caso Master acendeu forte alerta entre integrantes do PT. A movimentação ganha peso adicional porque ocorre justamente depois de o senador Jaques Wagner (PT-BA) ter confirmado que pediu a Augusto Lima que comprasse, em seu nome, um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador, destinado à sua filha.
Segundo apurou o Metrópoles, na noite de terça-feira (4/8) os advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e outros integrantes do escritório que representavam Lima renunciaram ao caso. O escritório é conhecido por ser avesso a acordos de delação, e já teria abandonado outras causas pelo mesmo motivo em processos anteriores. O empresário manteve em sua defesa apenas os advogados Sebastián Mello e Eduardo Toledo, que negaram qualquer mudança de estratégia e descartaram a possibilidade de delação.
A movimentação chamou atenção imediata de assessores e parlamentares do PT. Augusto Lima mantém relação próxima com integrantes do partido na Bahia, estado de origem de Wagner. A Polícia Federal já identificou ao menos 74 ligações telefônicas entre o empresário e o senador, dado que reforça o peso político de qualquer declaração que Lima venha a prestar às autoridades.
É nesse cenário que o próprio Wagner reconheceu, em depoimento e declarações públicas, ter pedido a Lima que adquirisse o apartamento no bairro Horto Florestal, em Salvador, ainda em construção. Segundo o senador, a intenção era destinar o imóvel à filha, com a promessa de fazer, posteriormente, a recompra do bem, já que não tinha recursos disponíveis no momento em que o negócio foi fechado, no fim de 2024. A Polícia Federal apura se a transação configurou vantagem indevida oferecida a Wagner em troca de favorecimento ao Banco Master.
A Polícia Federal também apontou que as negociações em torno do imóvel continuaram mesmo após a prisão de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, por meio do que os investigadores classificaram como "manobras contratuais executadas com o propósito de evitar a descoberta do negócio ilícito". Wagner nega irregularidades e chama a negociação de "nebulosa", mas insiste que ocorreu às claras.
Diante desse pano de fundo, a mudança de postura de Augusto Lima é vista com preocupação redobrada dentro do PT. Uma eventual disposição do empresário de detalhar às autoridades os termos das negociações do apartamento e de outros repasses ligados ao Banco Master pode aprofundar ainda mais o cerco em torno de Wagner, justamente no momento em que o senador tenta a reeleição pela Bahia com apoio direto do presidente Lula.