A estridente Isolda Dantas chamou Allyson de calango. O PT que defende igualdade jogou no esgoto
A deputada estadual Isolda Dantas resolveu pisar num ponto que não se pisa em campanha eleitoral civilizada. Chamou o candidato Allyson Bezerra de calango. Com discurso de ódio, com veneno jorrando, com a intenção explícita de humilhar um adversário pela aparência física.
Não foi deslize. Foi deliberado.
E ao lado de Isolda estava o Mister Impostos Cadú Xavier, o candidato que se autointitula bonitão, que não abriu a boca para reprovar a colega. O silêncio de Cadú vale tanto quanto as palavras de Isolda. Quem cala consente. E neste caso, consentiu com o ataque mais rasteiro que uma campanha pode fazer: diminuir um ser humano pelo jeito que ele nasceu.
O absurdo fica ainda maior quando se coloca em perspectiva quem está fazendo o quê contra quem. Isolda Dantas é uma mulher branca, heterossexual, da elite do Rio Grande do Norte. Allyson Bezerra é um homem pardo, de origem simples, criado num sítio na periferia de Mossoró, que chegou onde chegou na vida pelo mérito e pela capacidade.
O PT que defende cotas raciais, diversidade, respeito à origem, inclusão social e proteção às minorias colocou no palanque uma representante da elite branca do estado para humilhar publicamente um candidato pobre, pardo e nordestino pela aparência física. Comparou-o com um bicho desajeitado.
Se esse movimento viesse da direita, seria linchamento imediato. Reportagem em todos os portais, nota de repúdio de entidades, pressão nas redes. Como veio do PT, o silêncio da esquerda brasileira é ensurdecedor.
O calango que Isolda tentou diminuir cresceu num sítio sem luxo, aprendeu a trabalhar, construiu uma carreira política, foi prefeito de Mossoró e disputa o governo do Rio Grande do Norte. Isso se chama trajetória. Isso se chama Brasil real.
O que Isolda fez não tem nome bonito. Tem preconceito. Tem soberba. Tem a arrogância de quem acha que pode desdenhar do próximo porque nasceu com mais privilégio e mais poder.
Falta compostura, Isolda. Falta sensibilidade. Falta o mínimo de amor ao próximo que qualquer ser humano merece receber. Especialmente de quem usa o palanque para pregar igualdade.