Após se reunir com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso — tratado por ele, em fala direta à imprensa, como "ministro Faquim" —, o senador Rogério Marinho (PL-RN) negou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições, em 25 de outubro, resulte em uma perseguição à Corte. "Nós não temos espírito de vendeta, pelo contrário, queremos reconstruir o país, queremos normalizar a relação entre os poderes", afirmou Marinho, que já visitou cinco ou seis ministros do Supremo nas últimas semanas.
O senador, no entanto, fez uma ressalva importante: a ausência de "vendeta" não significa, segundo ele, omissão do Senado diante de eventuais crimes de responsabilidade cometidos por ministros da Corte. "Na hora em que houver algum crime de responsabilidade por um ministro do Supremo Tribunal Federal, o Senado não vai se omitir. E hoje ele tem se omitido", disse, criticando o fato de que a abertura de processos desse tipo depende hoje da discricionariedade do presidente da Casa — hoje o cargo é ocupado por Davi Alcolumbre.
Marinho revelou que defende uma mudança no regimento interno do Senado: hoje, mais de cem processos por crime de responsabilidade estariam parados, sem nem mesmo passar pela avaliação de constitucionalidade da procuradoria da Casa. "Eu particularmente defendo que esse regimento seja modificado, para que caso 49 senadores apresentem um requerimento para abertura de um processo por crime de responsabilidade, automaticamente isso seja submetido à procuradoria do Senado", afirmou. Segundo o senador, se os elementos estiverem presentes, "esse processo terá que ser aberto independente da vontade do presidente" da Mesa Diretora.
Questionado sobre a diferença entre esse discurso e eventuais sinais de retaliação já manifestados por aliados — caso de falas feitas durante a CPI do INSS —, Marinho foi categórico: "Vingança não significa omissão. Nós não temos vendeta nem vingança. Agora, não há omissão. A Constituição é clara." Para o senador, o princípio da separação dos poderes não implica em poder absoluto, e "o crime ou indício de crime cometido por quem quer que seja não pode ser acobertado pelo corporativismo."