Em meio a uma rodada de visitas a ministros do Supremo Tribunal Federal, o senador Rogério Marinho (PL-RN) admitiu que, propositalmente, deixou de fora de sua agenda dois nomes: Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
Segundo o senador, que já conversou com cinco ou seis integrantes da Corte, incluindo Gilmar Mendes e Cristiano Zanin — chamado por ele, informalmente, de "Janinha" —, o motivo é a avaliação de que os dois ministros têm atuado mais como agentes políticos do que como julgadores imparciais. "Eu vejo que o Alexandre de Moraes e o Flávio Dino têm se comportado nos últimos tempos claramente com um viés político. Eu acho que política é para os políticos", afirmou.
Marinho negou que a ausência de diálogo configure um rompimento definitivo. "Não é que é impossível, mas minha preocupação é com a interlocução com o Judiciário. Não me nego a conversar com eles, mas acho que, nesse momento, vou deixar passar o processo eleitoral para procurá-los oportunamente", disse, acrescentando que pretende retomar a aproximação "quando passar o processo político" — numa referência direta ao segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Ao justificar a seletividade de sua agenda de visitas ao STF, o senador reforçou que a leitura sobre o engajamento político de Moraes e Dino é o que, por ora, inviabiliza qualquer tentativa de reaproximação institucional. A fala ocorre em um momento de tensão entre o Senado e o Supremo, no qual Marinho também defende mudanças no regimento interno da Casa para dar mais autonomia aos parlamentares na abertura de processos por crime de responsabilidade contra ministros da Corte, hoje dependentes da vontade do presidente do Senado.