O governador eleito, Carlos Eduardo Xavier, inicia a sua gestão com uma vantagem expressiva perante os demais atores políticos: a ausência de uma oposição consolidada.
Não se verifica em Allyson Bezerra uma liderança de alcance estadual, tendo em vista que não logrou êxito em seu momento de projeção. Da mesma forma, questiona-se a disposição de Álvaro Dias ou de Rogério Marinho em assumir o protagonismo desse bloco oposicionista.
Nesse cenário, o principal contraponto ao novo governo poderá advir da atuação do senador Styvenson Valentim em Brasília. Assim, o novo gestor desfruta de um ambiente inicial de relativa estabilidade política.
O grande desafio, contudo, reside na gravidade da crise fiscal que herdará da gestão de Fátima Bezerra — para a qual ele próprio contribuiu diretamente.
Caso pretenda promover reformas administrativas ou encaminhar projetos de lei à Assembleia Legislativa, é fundamental que o faça no início do mandato, mediante a apresentação de um pacote estruturado.
A procrastinação dessas medidas comprometerá a capacidade de governabilidade, uma vez que o tempo urge.
Ainda que adote a condução mais adequada, o governador enfrentará sérias dificuldades em virtude do passivo financeiro acumulado, sobre o qual não poderá emitir públicas restrições, dada a sua vinculação à governadora antecedente.