O procurador-geral da República, Paulo Gonet, é sócio de um empresário responsável por uma associação que firmou mais de 55 contratos com órgãos públicos e conselhos profissionais, somando mais de R$ 5 milhões. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. A entidade também organiza congressos e seminários com a participação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do próprio chefe do Ministério Público Federal.
Gonet abriu, em abril de 2025, a empresa Direito em Perspectiva Estudos Científicos, voltada à organização de cursos e palestras. A administração ficou a cargo de Zilmar Santana de Assis, que também comanda a Associação Brasileira de Formação e Pesquisa (ABFP). Segundo o Estadão, as duas organizações compartilham telefone e contador, e a empresa do procurador-geral funciona no mesmo endereço de outro negócio do empresário. Gonet participou de pelo menos quatro eventos promovidos pela associação, incluindo um seminário que recebeu R$ 348 mil de um consórcio de municípios paulistas e contou com a presença do ministro Gilmar Mendes.
A relação levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, já que a legislação do Ministério Público da União restringe a participação de seus integrantes em sociedades comerciais.
O Estadão não identificou contratos públicos firmados diretamente pela empresa de Gonet. Procurado, o procurador-geral não se manifestou. Zilmar e a ABFP também não responderam. Órgãos contratantes negaram irregularidades e afirmaram que as contratações seguiram critérios técnicos. Não há informação sobre os valores de eventuais pagamentos a título de palestras às autoridades.
Com informações do O Antagonista