Parlamentares da oposição enfrentam um dilema com a PEC da escala 6x1: votar contra é suicídio eleitoral, votar a favor é trair o compromisso com a liberdade econômica. A saída tem sido tentar incluir no texto demandas do setor empresarial, como regras de transição e mecanismos de compensação para empresas afetadas.
O governo Lula, que enviou um projeto de lei paralelo ao Congresso, quer surfar na onda populista sem assumir o custo. A estratégia é deixar o Legislativo aprovar a mudança e depois colher os louros eleitorais. Enquanto isso, a equipe econômica, nos bastidores, reconhece o risco de impacto sobre o emprego formal — mas ninguém ousa dizer isso em público.
A verdade incômoda é simples: o Brasil já tem uma das legislações trabalhistas mais engessadas do planeta. Empilhar mais obrigações sobre o empregador, sem modernizar o ambiente de negócios, é receita para mais informalidade. O país precisa de menos CLT e mais oportunidade, não de mais promessas que vencem no dia seguinte à eleição.