A entrevista do ministro Gilmar Mendes à jornalista Renata Lo Prete, no Jornal da Globo, foi classificada no Jornal das 6, da 96 FM Natal, como "o maior desastre de comunicação dos últimos tempos". Na análise feita nesta quinta-feira (24), os comentaristas destacaram que o decano do STF foi ao programa com a intenção de controlar a narrativa, mas foi desmontado pela jornalista. "Tem que parabenizar a Renata Lo Prete. Ela foi direta, educada, cortês, mas destruiu a reputação e a moral dele", avaliou a bancada do Jornal das 6.
O principal alvo da crítica foi a declaração de Gilmar sobre o inquérito das fake news, aberto em 2019 sob relatoria de Alexandre de Moraes. O ministro afirmou que o inquérito "vai acabar quando terminar" e defendeu sua manutenção "pelo menos até as eleições". Na avaliação do Jornal das 6, a frase revela a ausência de qualquer controle sobre a investigação. "Não há prazo, não há limite, apenas continuidade", resumiu a bancada. Também foi destacado que dois pré-candidatos à presidência, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, foram recentemente incluídos no inquérito, o que já configuraria interferência direta no processo eleitoral de 2026.
Outro ponto que gerou forte reação foi a postura de Gilmar em relação a Zema. Na entrevista ao Jornal da Globo, o ministro zombou do sotaque mineiro do ex-governador, comparando-o a "um dialeto próximo do português" e a uma "língua do Timor Leste". Em entrevista ao portal Metrópoles, foi além ao sugerir que se fizessem "bonecos do Zema como homossexual". No Jornal das 6, a avaliação foi direta: "Isso é xenofobia. Ele pega um sotaque, que podia ser nordestino, gaúcho, cearense, e zomba". Após a repercussão negativa, Gilmar pediu desculpas pela menção à homossexualidade. Zema reagiu nas redes sociais chamando o ministro de "intocável".
A análise do Jornal das 6 não poupou o decano: "O que se viu foi um senhor sem noção. Impressiona que essa pessoa, com todo o conhecimento jurídico que tem e no topo da hierarquia do Judiciário, esteja tão fora da realidade". Também foi citado um documentário recente que detalha como Gilmar construiu, por meio de seu instituto, uma rede de influência que conecta empresários, políticos, juristas e outros ministros, consolidando o que fontes em Brasília reconhecem como o maior poder de articulação dentro do Supremo Tribunal Federal.