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Congresso do PT expõe vazio pós-Lula e resistência à renovação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT resistem ao novo. Isso não se aplica apenas às mudanças na estrutura do trabalho ou nas formas de comunicação. O principal freio à renovação reside nas próprias lideranças e no modo de fazer política.

​A sigla conclui seu 8º Congresso Nacional neste domingo, 26, focado no que deve ser a última candidatura presidencial de Lula, hoje com 80 anos. Já o cenário “pós-Lula” permanece um tabu interno.

​Após dois mandatos e os 580 dias de prisão que o afastaram das urnas em 2018, o líder petista voltou a disputar as eleições em 2022 e se prepara para o novo pleito por um motivo simples: o PT não possui um nome de peso para substituí-lo.

Essa carência de sucessores ocorre porque a legenda não se preparou, mantendo-se presa ao passado do líder sindical.

​O congresso busca apontar diretrizes para a sigla. Incluiu na agenda a atualização do programa partidário e a reforma do estatuto interno - discussão que deve ser adiada para evitar rachas internos. Entretanto, projetar o futuro sem Lula é um entrave.

Remando praticamente sozinhos e sem assento na cúpula nacional, alguns jovens surgem e dão tração à legenda em locais onde a direita avança a passos largos. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, destaca-se a deputada federal Camila Jara. Em Minas Gerais, o vereador Pedro Rousseff. Neste Estado, a ex-prefeita de Contagem (MG), Marília Campos, que desincompatibilizou para disputar o Senado, é nome com trajetória mais longa e em ascensão.

Contudo, qual é a real relevância desses nomes no processo decisório? Eles são ouvidos? Ao que tudo indica, não, o que alimenta ressentimentos internos.

Os subgrupos de trabalho são conduzidos por José Dirceu (eixo de Programa), Valter Pomar (Estatuto), Cristiano Silveira (Programa de Governo 2026) e Anne Moura (Conjuntura e Tática Eleitoral).

​E para as eleições deste ano, o PT traz novamente à ribalta figuras da “velha guarda” ligadas ao Mensalão. Após cumprirem suas penas, nomes como Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares estão com pré-candidaturas postas e avalizadas.

​Publicamente, Lula afirma que o PT possui lideranças em ascensão, mencionando ex-ministros como Fernando Haddad (Fazenda) e Camilo Santana (Educação). No entanto, quem faz o movimento mais incisivo para ocupar esse espaço — e de mãos dadas com Lula — é Guilherme Boulos.

O deputado federal, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, porém, pertence ao PSOL. Se ele migrar para o PT visando à presidência, apenas ratificará a dificuldade da sigla em renovar seus quadros internos, mantendo-se amarrada a fórmulas do passado.

Roseann Kennedy - Coluna do Estadão

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