Uma sindicância revelou que um diretor da Cedae ignorou recomendações expressas sobre o risco de quebra do Banco Master — e a estatal fluminense perdeu R$ 222 milhões. Não foi azar, não foi imprevisto: foi negligência documentada, com aviso prévio e tudo.
O caso é o retrato de como o dinheiro público é tratado quando não há dono. Numa empresa privada, um gestor que despreza alerta formal e torra centenas de milhões seria demitido por justa causa e, provavelmente, processado. Na estatal, o roteiro costuma ser outro: relatório engavetado e responsáveis blindados.
O custo invisível da gestão pública
Cada R$ 222 milhões que evaporam de uma estatal é dinheiro que faltará em saneamento, em obras, em serviços essenciais à população. A Cedae cuida de água e esgoto — não de especulação financeira em bancos de reputação duvidosa.
A pergunta que precisa de resposta é simples: quem será responsabilizado? Se a história servir de guia, a aposta é melancólica. E enquanto a impunidade for a regra, casos como esse continuarão se repetindo, sempre com o mesmo pagador final: o contribuinte.