O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou a Polícia Federal e a Interpol para tentar identificar a origem dos recursos usados na produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar quer que autoridades brasileiras e estrangeiras investiguem a movimentação financeira ligada ao projeto.
O pedido inclui cooperação com órgãos dos Estados Unidos, Holanda e Hungria, países citados em reportagens sobre o financiamento do longa. Lindbergh afirma que documentos divulgados pela Agência Pública apontam a participação de empresas e estruturas financeiras internacionais na produção, além de indicarem que o deputado Eduardo Bolsonaro teria sido apresentado como financiador do projeto.
Entre os pontos que o deputado quer esclarecer está uma transferência de US$ 57,5 mil para uma empresa da Califórnia, nos Estados Unidos, intermediada por uma entidade registrada na Holanda. Para ele, há indícios de uma estrutura criada para ocultar a identidade dos financiadores e dos beneficiários finais dos recursos.
O parlamentar também cita informações que ligam o banqueiro Daniel Vorcaro ao financiamento do filme. Reportagens apontariam que Eduardo Bolsonaro teria participado de tratativas envolvendo recursos negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro, versão que, segundo Lindbergh, diverge de declarações públicas de que Eduardo apenas cedeu os direitos de imagem para a produção.
No ofício enviado às autoridades, o deputado pede a preservação de contratos, registros bancários, ordens de pagamento, mensagens e outros documentos relacionados ao projeto. O objetivo, afirma, é descobrir quem financiou o filme e verificar se houve ocultação da origem dos recursos ou dos verdadeiros beneficiários das operações.