A Polícia Federal registrou uma explosão nas investigações por compra de votos no Brasil. Dados obtidos pela GloboNews mostram que o número de inquéritos sobre corrupção eleitoral saltou de 117 nas eleições municipais de 2016 para 2.283 em 2024, um crescimento de quase 20 vezes.
Ao todo, mais de 7.600 investigações foram abertas nos últimos dez anos, o equivalente a uma média de duas novas apurações por dia. Os dados fazem parte da série de reportagens "O Valor do Voto", produzida pela GloboNews.
As investigações revelam que a compra de votos continua acontecendo de diversas formas. Além da entrega de dinheiro, candidatos e cabos eleitorais são suspeitos de oferecer consultas médicas, exames, combustível, cestas básicas, botijões de gás, material de construção, empregos e até vagas em creches em troca de apoio nas urnas.
Segundo o levantamento, o problema é mais frequente em cidades do interior. Apenas 15% dos casos investigados ocorreram em capitais. A Polícia Federal identificou inquéritos em 1.557 municípios brasileiros, o que corresponde a quase 30% das cidades do país.
Entre os casos citados pela reportagem estão o de um vereador do Paraná que escondia dinheiro dentro de livros para distribuir vantagens a eleitores e o de uma vereadora condenada por utilizar a estrutura de um centro de assistência social para beneficiar sua campanha. Ambos os casos resultaram em condenações à cassação e inelegibilidade.
Pela legislação eleitoral, tanto quem compra quanto quem vende voto pode responder criminalmente. A simples promessa de vantagem em troca do voto já pode caracterizar o crime, mesmo que a negociação não seja concluída.