As facções criminosas brasileiras deixaram de atuar apenas no tráfico de drogas e passaram a operar como verdadeiras redes de negócios ilícitos, com influência econômica, territorial e até política. A avaliação é do delegado da Polícia Federal Alexandre Custódio Neto, responsável pela coordenação nacional de combate ao tráfico, armas e facções criminosas.
Em entrevista à coluna de Mirelle Pinheiro, no Metrópoles, o delegado afirmou que as organizações como o PCC e o Comando Vermelho expandiram suas atividades para áreas como tráfico de armas, roubos, fraudes bancárias, golpes digitais, contrabando e apostas ilegais. Para a PF, o modelo atual funciona como uma rede de “empreendedores do crime”, em que integrantes mantêm negócios próprios, mas utilizam a estrutura, a proteção e a logística das facções.
A Polícia Federal afirma que o combate ao crime organizado exige mais do que prisões e bloqueio de bens. A estratégia inclui enfraquecer o poder financeiro das organizações, retomar territórios dominados por criminosos e reforçar a presença do Estado em comunidades e regiões sob influência das facções.
Outro ponto de preocupação é a infiltração do crime organizado na economia formal. Investigações apontam a presença de integrantes ou associados de facções em setores como mercado imobiliário, combustíveis, agronegócio e entretenimento. Segundo a PF, grupos criminosos também buscam influência política em municípios para proteger interesses e ampliar sua atuação.
Dados citados pela corporação mostram que facções e milícias já exercem influência direta em áreas onde vivem cerca de 28,5 milhões de brasileiros. Para a PF, o enfrentamento desse cenário depende da integração entre forças de segurança, inteligência policial, cooperação internacional e ações permanentes contra as estruturas financeiras e territoriais do crime organizado.