Dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento revelam que o PL, principal partido de oposição, lidera o ranking de emendas empenhadas pelo governo no primeiro semestre de 2026, com R$ 3,1 bilhões. O PT, partido do presidente, aparece em segundo lugar com R$ 2,16 bilhões, seguido por PSD e União Brasil, ambos na faixa de R$ 2 bilhões.
Os quatro partidos concentram quase metade de todos os recursos direcionados a legendas em 2026, somando R$ 9,43 bilhões. O dado evidencia que a oposição formal do PL não impediu seus parlamentares de acessar volumes expressivos de dinheiro público, numa dinâmica que contraria o discurso de independência do partido em relação ao governo.
Os senadores Romário (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, figuram entre os parlamentares mais contemplados do país, com R$ 72 milhões e R$ 62 milhões empenhados, respectivamente. O volume demonstra que a lógica das emendas opera independentemente do alinhamento ideológico.
O governo acelerou as liberações nos meses de abril e maio para garantir o avanço de propostas no Congresso, como a sabatina de Messias e a PEC da 6x1. O montante total saltou de R$ 1 bilhão no fim de março para R$ 29,3 bilhões até o início de junho, revelando a intensidade da negociação fisiológica.
Os números reacendem o debate sobre o orçamento secreto e seus legados. Embora formalmente extinto pelo STF, o mecanismo de emendas de relator deixou uma cultura de distribuição personalizada de recursos que segue influenciando a relação entre Executivo e Legislativo. O volume liberado em ano eleitoral levanta questionamentos sobre o uso da máquina pública.