O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça emerge como uma das figuras mais influentes do cenário político-eleitoral de 2026, ao se tornar o relator das fases mais recentes da Operação Compliance Zero e autorizar buscas e apreensões contra alvos de diferentes campos políticos. Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, Mendonça acumula credibilidade transversal ao demonstrar que suas decisões não seguem alinhamento partidário.
A autorização das operações contra Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, foi recebida com elogios pela oposição e com silêncio constrangido pelos aliados do presidente. Ao mesmo tempo, investigações anteriores da mesma operação também atingiram nomes ligados à oposição, incluindo personagens próximos ao campo bolsonarista. O padrão de decisões de Mendonça reforça sua imagem de independência, o que aumenta seu capital institucional num momento em que a credibilidade do STF é objeto de disputa política intensa.
Para o governo, a atuação de Mendonça representa um desafio delicado. Qualquer crítica ao ministro seria interpretada como tentativa de interferência na Justiça, o que é politicamente inviável. Para a oposição, que criticou o STF sistematicamente nos anos anteriores, elogiar as decisões do mesmo tribunal quando elas atingem o PT exige uma acrobacia discursiva que não passa despercebida pelos analistas e pela imprensa.
O papel de Mendonça no caso Master pode ter impacto duradouro sobre sua posição institucional e política. Ministros do STF não disputam eleições, mas influenciam o ambiente político de forma decisiva, e o acúmulo de decisões relevantes em ano eleitoral constrói um legado que transcende a conjuntura imediata. O ministro deve receber novos inquéritos relacionados à Compliance Zero nas próximas semanas, mantendo-se no centro das atenções até outubro. Fontes: Poder360 e VEJA.