O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, confirmou nesta quinta-feira (18) que pediu ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, que comprasse um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões no bairro Horto Florestal, em Salvador. A declaração foi dada em entrevista à BandNews TV, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga exatamente essa transação como possível pagamento de propina em troca de atuação legislativa favorável ao banco.
Isso prova: os políticos perderam a vergonha totalmente. O ex-secretário baiano, ex-governador da Bahia, admitiu que pediu um "favor" milionário para um empresário investigado por envolvimento na maior fraude bancária do Brasil. E está, para ele, "tudo bem" nisso.
Segundo o próprio senador, a negociação teria sido um arranjo pessoal para ajudar a filha a adquirir o imóvel. "Tinha o interesse de dar ou ajudar a minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Augusto Lima é um investidor, disse a ele: você pode comprar? Depois eu recompro", explicou Wagner. O parlamentar afirmou que, como o apartamento ainda estava em construção, precisaria antes vender outro imóvel da filha ou aguardar um financiamento, e que o empresário agiria como intermediário temporário.
A Polícia Federal, contudo, interpreta a transação de forma diferente. Com base em mensagens extraídas do celular de Augusto Lima, a PF identificou que Wagner enviou ao empresário, em novembro de 2024, os dados completos do imóvel: número da unidade, contato do gerente da construtora e material de apresentação digital. Para a corporação, a aquisição do bem por Lima caracteriza vantagem indevida, ou seja, propina, em troca da atuação do senador em prol do banco no Congresso Nacional, incluindo mudanças no Fundo Garantidor de Crédito e articulações para viabilizar a compra do Master pelo BRB.
Wagner negou qualquer irregularidade e afirmou não ter negócios com o Master ou com o Credcesta. O ministro do STF André Mendonça, relator do caso, impôs medidas cautelares ao senador, entre elas a proibição de contato com os demais investigados e a suspensão do passaporte. Durante a operação, a PF apreendeu US$ 49 mil em espécie no hotel em Brasília onde o parlamentar se hospeda, além de 33,5 mil euros em sua residência em Salvador. Fontes: BandNews, Poder360 e InfoMoney/Estadão Conteúdo.