A nova fase da Operação Compliance Zero, que resultou em mandados de busca e apreensão no imóvel do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, trouxe à tona uma série de questionamentos que o parlamentar ainda não conseguiu responder de forma satisfatória. Segundo informações apuradas pelo Jornal das 6, o valor em dinheiro encontrado na residência do senador não para de crescer nas apurações: começou em R$ 39 mil, subiu para R$ 49 mil e chegou a R$ 65 mil. A explicação oferecida pelo próprio Wagner, de que o dinheiro seria referente a diárias recebidas como senador e simplesmente sacadas e guardadas em casa, foi considerada inconcebível até por aliados do PT.
O deputado Glauber Braga, do PSOL, partido aliado ao governo, foi um dos primeiros a romper o silêncio. "A explicação sobre o dinheiro encontrado em seu imóvel é inconcebível em qualquer hipótese", afirmou o parlamentar em entrevista, sinalizando que mesmo dentro do campo progressista a justificativa não se sustenta. Analistas ouvidos pelo programa reforçaram o argumento: nos dias atuais, um ministro ou senador em viagem oficial não precisa carregar um centavo em espécie, já que cartões institucionais cobrem todos os gastos. Além disso, as regras alfandegárias de países como Estados Unidos e os da União Europeia limitam o ingresso de valores em espécie a US$ 10 mil ou 10 mil euros. Acima disso, o portador precisa se explicar às autoridades locais.
A investigação também aponta para R$ 3,5 milhões em propina atribuídos pela Polícia Federal ao senador, além de um apartamento que estaria associado ao esquema. Outro ponto sem resposta envolve a nora de Wagner, casada com seu filho, secretário do governo da Bahia: a PF questiona que tipo de serviço ela teria prestado para justificar valores recebidos dentro da estrutura investigada. Antes da operação ser deflagrada, o senador chegou a se reunir com o ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Em entrevista à BandNews, Wagner negou as acusações, mas deixou perguntas centrais sem resposta, o que gerou críticas mesmo entre jornalistas e comentaristas alinhados ao campo político do petista.
O presidente Lula telefonou para Wagner após a operação e, segundo a CNN Brasil, orientou o parlamentar a se defender publicamente e não deixar perguntas sem resposta. Wagner, por sua vez, sinalizou a interlocutores disposição para prestar depoimento à Polícia Federal para esclarecer sua relação com Augusto Lima, nome que aparece no centro das investigações e que teria se tornado zelador de um imóvel ligado ao esquema.