O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal para tentar anular a decisão que autorizou buscas da Polícia Federal em endereços ligados a ele na Operação Compliance Zero.
Segundo O Antagonista, a defesa do parlamentar sustenta que a medida foi baseada em premissas equivocadas e afirma que Wagner nunca atuou no Congresso para beneficiar o Banco Master, foco das investigações. Segundo os advogados, a única emenda apresentada pelo senador sobre o tema buscava limitar juros e ampliar a proteção aos consumidores, contrariando interesses da instituição financeira.
O recurso também destaca que Wagner se posicionou contra a chamada "emenda Master", proposta que pretendia ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A defesa cita ainda declaração do senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da matéria, afirmando que jamais foi procurado por Wagner para tratar do assunto.
Sobre os valores em espécie encontrados durante as buscas realizadas pela Polícia Federal na última quinta-feira (18), os advogados afirmam que o dinheiro tem origem lícita e comprovada. Segundo a defesa, parte dos recursos veio de diárias recebidas em viagens oficiais ao exterior e outra parte foi adquirida por meio de operações regulares junto a instituições financeiras.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal apura se Wagner teria atuado em favor de interesses da instituição financeira no Congresso em troca de vantagens indevidas.
Entre as suspeitas levantadas pelos investigadores estão o recebimento de recursos por meio de um imóvel avaliado em cerca de R$ 3,5 milhões, além de ingressos para eventos e viagens em aeronaves ligadas a empresários investigados. O senador nega qualquer irregularidade.