A presidência da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) passará por uma mudança formal em seu comando com a saída do ministro Gilmar Mendes. Em cumprimento ao sistema de rodízio anual da Corte, o posto será assumido pelo ministro Luiz Fux. A alteração administrativa impacta diretamente o andamento de processos de grande repercussão política e econômica, uma vez que cabe ao presidente do colegiado a prerrogativa exclusiva de definir a pauta de julgamentos.
O novo cenário altera a dinâmica interna e favorece os interesses do ministro André Mendonça na condução de agendas institucionais do tribunal. Luiz Fux mantém uma interlocução mais alinhada e próxima a Mendonça, diferentemente da relação de constante tensionamento observada com a atual gestão. A substituição é vista nos bastidores jurídicos como um fator que confere maior previsibilidade e espaço para teses convergentes entre os dois magistrados.
Por outro lado, Gilmar Mendes consolidou uma postura de oposição aberta a Mendonça, evidenciada em embates públicos recentes. As divergências ficaram nítidas nas deliberações sobre os desdobramentos da operação policial que investiga fraudes no Banco Master e envolveu Daniel Vorcaro. Durante as discussões, Mendonça subiu o tom e apontou a existência de forças coordenadas para anular as investigações, em clara alusão ao posicionamento do colega de colegiado.
A cisão entre as alas ficou registrada no julgamento do recurso que pedia a soltura de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, no qual Gilmar Mendes foi o único voto favorável à liberação. O placar de 3 a 1 isolou a posição de Mendes, mas o clima de animosidade permaneceu em discussões posteriores sobre o caso. Com a ascensão de Fux e a perda do controle da pauta por parte de Mendes, a Segunda Turma deve experimentar um alinhamento mais incisivo em pautas voltadas ao combate a crimes financeiros.