O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, tornou-se uma das vozes mais ativas dentro do governo pela saída de Jaques Wagner da liderança do Senado, segundo apuração do O Globo publicada nesta terça-feira (23). A posição do marqueteiro responsável pela campanha de reeleição de Lula representa uma virada significativa: foi Sidônio quem, em 2006, comandou a campanha que elegeu o próprio Wagner governador da Bahia.
A notícia é do O Globo. A ironia é emblemática. O mesmo publicitário baiano que ajudou a construir a trajetória política de Wagner é agora um dos que mais insistem pelo seu afastamento. A avaliação de Sidônio, segundo fontes ouvidas pelo jornal, é de que a permanência do senador investigado na liderança do governo compromete diretamente a narrativa da campanha de reeleição de Lula.
A posição não é unânime. Aliados de Wagner no PT baiano veem a pressão de Sidônio como intromissão e alertam para o risco de deixar o estado sem um interlocutor de peso no Senado. A tensão entre os dois grupos expõe a fragilidade da "República da Bahia" como bloco coeso diante do escândalo.
O cenário coloca Lula numa posição difícil. Manter Wagner seria ignorar a pressão do próprio time de campanha. Afastá-lo seria admitir que um aliado de primeiro escalão é suspeito de crimes graves, o que também tem custo político elevado.