Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro apostam que o ministro Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal), deverá atender ao pedido da defesa e prorrogar a prisão domiciliar humanitária, que termina nesta quinta-feira (25).
A avaliação é que, para além das questões de saúde do ex-presidente, Moraes também deverá considerar que a permanência em casa de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo plano de golpe, causa menos turbulência política no período eleitoral.
Por outro lado, observam que um eventual retorno do ex-presidente ao regime fechado pode virar um ativo para a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) e mobilizar a militância. Antes de ter a prisão domiciliar por 90 dias autorizada em 24 de março, Bolsonaro estava detido no 19º Batalhão da Polícia Militar, local conhecido como "Papudinha".
Na noite desta terça-feira (23), a defesa de Bolsonaro protocolou o pedido de prorrogação da sua prisão domiciliar humanitária, alegando que suas condições de saúde "têm características permanentes" e que o quadro clínico "permanece demandando acompanhamento especializado e avaliação médica contínua".
A solicitação tem como base um relatório médico elaborado em 22 de junho, que aponta estabilidade no estado de saúde do ex-presidente, mas ressalta que isso não representa a "resolução das enfermidades". Além disso, cita que, durante o período de prisão domiciliar, Bolsonaro precisou ser submetido a um procedimento cirúrgico ortopédico para reparar lesões no ombro direito.
"Segundo a equipe médica assistente, permanecem presentes fatores de risco relevantes, dentre eles instabilidade postural, alterações do equilíbrio, risco elevado de quedas da própria altura, risco permanente de broncoaspiração, necessidade de vigilância cardiovascular e respiratória e necessidade de acompanhamento fisioterápico contínuo", informou o documento.
A defesa também afirma que o quadro de estabilidade de Bolsonaro se deve à permanência do ex-presidente em prisão domiciliar, que é acompanhado pela família e pela equipe médica.
Mais uma vez, os advogados de Bolsonaro citam a similaridade com o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello que, condenado no âmbito da Operação Lava Jato, teve a autorização de Moraes para cumprir pena em prisão domiciliar em maio do ano passado.
Aliados de Bolsonaro também avaliam que o inquérito que apura a apreensão de uma arma registrada no nome do ex-presidente durante uma blitz de trânsito não deverá ter impacto para a decisão de Moraes.
Na terça-feira (23), o ex-presidente prestou depoimento por cinco minutos aos policiais civis que estiveram em sua casa e reafirmou que pediu o conserto da arma a um militar que atua no GSI (Gabinete de Segurança Presidencial) em razão de uma falha no equipamento. Porém, negou que o homem que atua na sua segurança tirasse a arma da residência.
A defesa sustenta que não há ilegalidade, visto que as medidas cautelares não previam a retirada de armas em nome do presidente.
CNN Brasil