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Senado pode impor segunda derrota a Lula com rejeição de Benedito Gonçalves para o CNJ

O governo Lula pode estar prestes a colher sua segunda derrota consecutiva no Senado Federal. Depois da rejeição de Jorge Messias, ex-advogado-geral da União, à vaga no Supremo Tribunal Federal por 42 votos contrários, o Palácio do Planalto agora corre o risco de ver o ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, ser barrado na indicação para corregedor do Conselho Nacional de Justiça no biênio 2026-2028. A votação está prevista para esta semana, durante o esforço concentrado convocado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, entre os dias 8 e 12 de junho, mas o clima no plenário é de incerteza e tensão.

Os sinais de que a aprovação está longe de ser garantida surgiram com clareza em 20 de maio, quando Alcolumbre interrompeu a sessão de votação de forma abrupta. Dos 67 senadores presentes, apenas 59 registraram voto, e o presidente do Senado optou por cancelar o processo antes que o resultado fosse proclamado. Para aprovar a indicação, são necessários 41 votos favoráveis, e a leitura feita nos bastidores é de que a conta não fechava. "Medida procrastinatória que apenas comprovou que a situação se inverte no plenário", definiu o senador Eduardo Girão (Novo-CE), um dos principais opositores da indicação.

A resistência a Benedito Gonçalves não é ideológica. Ela se alimenta de um acúmulo de controvérsias concretas que envolvem o ministro e que foram expostas publicamente por Girão em pronunciamento no plenário. O primeiro e mais simbólico é o episódio do "missão dada, missão cumprida", capturado por microfone aberto durante a cerimônia de diplomação de Lula, quando Benedito cumprimentou efusivamente Alexandre de Moraes, então presidente do TSE. Para Girão e outros senadores, a cena criou um "ambiente explícito de dúvidas sobre a imparcialidade institucional" do magistrado que agora pretende ocupar o cargo de maior fiscalização sobre juízes em todo o país.

O segundo fator que pesa contra Benedito é sua citação na colaboração premiada de Léo Pinheiro, ex-executivo da construtora OAS, durante a operação Lava-Jato. Segundo a delação, entre 2013 e 2014, quando a OAS tinha processos no STJ, houve múltiplos contatos com o ministro, que teria inclusive solicitado apoio para ser indicado ao STF. Em 2015, a então corregedora nacional de justiça, Nancy Andrighi, abriu processo administrativo disciplinar para investigar os fatos. A proximidade com um dos epicentros dos escândalos de corrupção do governo Lula levanta questionamentos sobre o perfil de quem será responsável por fiscalizar a conduta de magistrados em âmbito nacional.

O terceiro elemento é a atuação de Benedito como relator da cassação do mandato do deputado federal Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava-Jato e recordista de votos no Paraná. A decisão foi vista por setores da oposição como "forte ativismo com claros sinais de perseguição", nas palavras de Girão, e reforçou a percepção de que o ministro atuou de forma seletiva em julgamentos com conotação política. Some-se a isso a recente vinculação do nome de Benedito a um evento de luxo patrocinado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o que adiciona mais uma camada de desconforto ao cenário.

Para o governo, a rejeição de Benedito seria mais do que um revés pontual. Seria a consolidação de um padrão de derrotas em indicações que até poucos anos atrás eram trâmites quase ritualísticos. A rejeição de Jorge Messias em 2025 já havia rompido um tabu de décadas no Senado. Agora, uma segunda negativa seguida sinalizaria que o Palácio do Planalto perdeu a capacidade de impor seus nomes ao Legislativo, justamente no momento em que a proximidade das eleições de outubro torna cada derrota política mais custosa.

Alcolumbre, ciente do risco, convocou o esforço concentrado e pediu "compreensão dos parlamentares" para que compareçam ao Senado e garantam quórum. Mas a convocação, por si só, revela a fragilidade da posição governista. Na maioria das indicações anteriores, a presença de senadores nunca foi problema. Desta vez, será necessário convencer parlamentares a não apenas comparecerem, mas a votarem a favor de um nome que carrega um peso político e simbólico difícil de ignorar. A posse do novo corregedor está prevista para 3 de setembro, o que dá ao Senado tempo para adiar mais uma vez caso os votos não estejam garantidos. Mas cada adiamento reforça a narrativa de fraqueza do governo e alimenta a tese de que Lula está perdendo o controle da agenda política, dentro e fora do Nordeste.

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