A Polícia Federal voltou a apertar o cerco contra o ex-prefeito de Choró, no Ceará, Carlos Alberto Queiroz Pereira, conhecido como Bebeto do Choró. Foragido desde dezembro de 2024, ele é investigado por suspeita de comandar um esquema envolvendo fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, compra de votos e lavagem de dinheiro.
Na nova fase da investigação, deflagrada em parceria com o Ministério Público Eleitoral, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. Durante a operação, o filho de Bebeto foi preso em flagrante por suspeita de lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, a ofensiva mira a estrutura financeira que teria dado sustentação ao grupo ligado ao ex-prefeito. Documentos, equipamentos e materiais apreendidos devem ser analisados para rastrear movimentações suspeitas e identificar eventual ocultação de patrimônio.
Bebeto do Choró está foragido desde o fim de 2024. Ele foi eleito prefeito de Choró, mas acabou tendo a chapa cassada pela Justiça Eleitoral. As apurações apontam que o político teria participação central em um esquema com ramificações em prefeituras cearenses e contratos públicos.
De acordo com informações divulgadas pelo G1 Ceará e pelo Diário do Nordeste, a investigação também apura suspeitas de desvios de emendas parlamentares e fraudes em licitações. A Controladoria-Geral da União identificou que nove empresas suspeitas de integrar o esquema receberam cerca de R$ 455,5 milhões de prefeituras do Ceará entre 2023 e 2025.
O caso também envolve citações ao deputado federal Júnior Mano, apontado pela Polícia Federal como possível operador do esquema ao lado de Bebeto. A assessoria do parlamentar, conforme publicado pelo G1, afirmou que a investigação “nada encontrou de relevante”.
A investigação contra Bebeto ganhou força a partir de denúncias feitas ainda no período eleitoral de 2024. Uma das acusações relatadas ao Ministério Público envolve suposta rede criminosa voltada à intimidação de adversários e à oferta de vantagens financeiras a eleitores em troca de votos.
Após a prisão em flagrante, o filho de Bebeto chegou a ser liberado com uso de tornozeleira eletrônica, conforme publicou o jornal O Povo. Mesmo assim, a operação mostra que a PF tenta chegar ao núcleo financeiro do grupo, considerado peça-chave para entender o caminho do dinheiro e o possível paradeiro do ex-prefeito foragido.
Na prática, a nova fase da investigação amplia a pressão sobre Bebeto do Choró. Se antes o foco estava mais concentrado nos crimes eleitorais e nas fraudes em contratos públicos, agora a Polícia Federal avança sobre a possível lavagem de dinheiro — caminho que pode revelar quem movimentou, ocultou ou se beneficiou dos recursos sob suspeita.