A empresa de tecnologia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mudou de endereço em Madri e, no mesmo dia, revogou os poderes concedidos a cinco advogados e a um escritório espanhol.
A mudança de sede e as revogações foram registradas em 29 de março, segundo documentos comerciais espanhóis obtidos pela coluna. A alteração de endereço foi publicada em 7 de abril, e a retirada dos poderes, no dia seguinte, no Boletim Oficial do Registro Mercantil da Espanha.
A Synapta SL deixou um imóvel na rua Agustín de Foxá e passou a funcionar no 9º andar de um prédio no Paseo de la Castellana, no coração do eixo financeiro e empresarial de Madri e em uma das principais avenidas da capital espanhola.
Os advogados Vanessa Zimmermann Wilkom, Alberto Suárez Tramón, Christian Krause, Alberto Gómez de Guzmán e Javier Coll Sempere foram nomeados em 17 de fevereiro para atuar como procuradores da empresa.
O escritório Monereo Meyer Advogados, ao qual os profissionais são ligados, também recebeu poderes para representar a Synapta.
As autorizações foram revogadas em 29 de março, 40 dias após as nomeações e na mesma data da mudança de sede.
O escritório contratado por Lulinha é especializado em assessorar empresas estrangeiras interessadas em investir, abrir negócios ou realizar operações internacionais em países como Espanha e Portugal. A coluna procurou o escritório, mas não obteve retorno.
Os advogados e o escritório não eram sócios nem administradores da empresa do filho do presidente Lula. Eles atuavam apenas como procuradores, com autorização para representar a companhia.
Lulinha consta como único sócio e administrador da Synapta desde a abertura da empresa. A companhia foi constituída sob a modalidade de “sociedad limitada unipersonal”.
Na legislação espanhola, isso significa que todas as participações sociais pertencem a um único titular.
A Synapta declarou ter iniciado as atividades em 13 de janeiro deste ano e foi registrada em 6 de fevereiro. A empresa foi aberta com capital social de € 3 mil, cerca de R$ 17,9 mil na cotação atual. Esse foi o valor fixado por Lulinha como capital inicial da companhia.
Um relatório comercial atualizado em 6 de agosto mostra que a empresa continuava ativa, mas ainda não tinha balanços disponíveis no Registro Mercantil espanhol.
Lulinha é alvo de três inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Inquéritos
- Ministério da Saúde — Suspeito de tráfico de influência e corrupção em negociações ligadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal. Inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça.
- Dataprev — PF suspeita que um empresário do setor de tecnologia da Dataprev tenha atuado com Lulinha, o “Careca do INSS” e a empresária Roberta Luchsinger na tentativa de firmar contratos com o governo federal. Inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça.
- 3Structure It — filho do presidente é suspeito de usar o nome de Lula em favor de empresas parceiras dele. Inquérito autorizado pelo ministro Flávio Dino.
- Vazamento de dados — Lulinha consta como vítima em um inquérito da PF que apura o vazamento de dados sigilosos. Inquérito autorizado pelo ministro Flávio Dino.
Metrópoles