O senador Rogério Marinho (PL-RN) acusou, em discurso no plenário do Senado, o ministro Alexandre de Moraes de mentir em declaração formal à Justiça sobre sua identidade nas conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo Marinho, Moraes teria feito, em março deste ano, uma declaração juramentada negando ser o interlocutor de Vorcaro. Diante da negativa, o ministro André Mendonça teria perguntado à Polícia Federal quem seria então esse interlocutor — e a perícia da corporação identificou o próprio Moraes como a pessoa que trocava mensagens com o banqueiro, hoje preso por suspeita de fraude no sistema financeiro. Ao todo, mais de 50 conversas entre os dois foram reveladas. Veja no vídeo abaixo:
O senador afirmou ainda que o acesso pleno aos autos vai demonstrar que Moraes utilizou "expedientes pouco ortodoxos" em investigações, citando como exemplo a orientação de um juiz auxiliar do ministro para que o então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, "usasse a imaginação" para perseguir adversários políticos. Marinho classificou a prática como "um mecanismo soviético" de investigação.
Marinho questionou também como Moraes teve acesso a um relatório de inteligência da PF usado para pedir a abertura de inquérito contra Mendonça, e criticou o que chamou de seletividade nas investigações do STF, citando o inquérito sobre emendas parlamentares conduzido por Flávio Dino. Para o senador, o processo concentra poder excessivo nas mãos de um único ministro sobre os 594 parlamentares do Congresso.
Diante do cenário, Marinho defendeu uma reforma no Judiciário que retire as competências criminais do STF, além de uma mudança no regimento do Senado para que pedidos de investigação por crime de responsabilidade, com apoio de 49 senadores, tramitem automaticamente, sem depender da vontade do presidente da Casa.