O ministro Alexandre de Moraes acusou o colega André Mendonça, durante a sessão desta terça-feira (15) no plenário do STF, de ter pressionado a Polícia Federal para que seu nome fosse incluído na delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Moraes afirmou ter testemunhas capazes de comprovar a acusação e pediu que fossem chamadas para depor na própria sessão.
Segundo o O Globo, o embate ocorreu durante o julgamento que discute a abertura de investigação contra Moraes com base no relatório da PF sobre mensagens trocadas entre ele e Vorcaro. Em determinado momento, o ministro questionou diretamente Mendonça: "Quem tem medo da Polícia Federal? (.) Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada. E vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar", declarou Moraes.
Relator do caso Master na Corte, Mendonça rebateu a acusação de forma direta, classificando a fala de Moraes como mentira. O confronto ocorre em um momento particularmente sensível do julgamento, já que Mendonça é justamente o responsável pela retirada do sigilo do relatório da PF que revelou as mensagens entre Moraes e o banqueiro, decisão que deflagrou a atual crise institucional no Supremo.
A acusação de Moraes se soma a um histórico de tensões entre os dois ministros que já incluiu pedidos cruzados de investigação, disputas sobre acesso a provas e trocas de ofícios nos últimos dias. Vorcaro, por sua vez, já havia relatado ao gabinete de Mendonça ter sofrido intimidações durante sua custódia pela PF, incluindo o uso de "óculos como os do Maduro" durante transporte em helicóptero — relato usado por aliados de Mendonça para sustentar que a condução das investigações pela corporação mereceria escrutínio.
O episódio ocorre em meio ao julgamento que avalia um conjunto de mensagens encontradas no celular de Vorcaro, enviadas a Moraes entre outubro e novembro de 2025, no auge da crise do Banco Master, e reforça a imagem de um Supremo dividido entre alas rivais, incapaz de conduzir a sessão sem episódios de confronto direto e acusações mútuas de má-fé entre seus próprios integrantes.