O Supremo Tribunal Federal suspendeu, por volta das 13h desta terça-feira (15), a sessão plenária extraordinária que discute a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A pausa foi determinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que havia aberto os trabalhos às 10h35 com a leitura do relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
Segundo o Valor Econômico e o Estadão, as primeiras horas da sessão foram marcadas por intensas discussões e trocas de acusações de atuação política entre os ministros, o que motivou o intervalo. Fachin convocou o retorno para as 14h, quando o plenário deve enfrentar uma questão de ordem que pode inclusive suspender por completo o julgamento — entre as possibilidades avaliadas está a de reunir o caso de Moraes com o processo que apura a conduta de André Mendonça, hoje agendado para o dia 23 de setembro, em uma sessão conjunta futura.
A instabilidade também foi ampliada pela saída de dois ministros da votação: Kassio Nunes Marques se declarou impedido, alegando conflito de interesse por também presidir o TSE, enquanto Dias Toffoli se declarou suspeito por "foro íntimo", motivado por mensagens do caso Master que mencionam pagamentos ligados a ele. Com isso, o julgamento já nasce fragilizado, com no máximo oito dos onze ministros aptos a votar.
A resolução da questão de ordem à tarde é vista por analistas como decisiva para o rumo da crise: um adiamento consolidaria a tese defendida por aliados de Moraes de que o processo deveria ser julgado junto ao caso Mendonça, enquanto a manutenção do rito atual, defendida por Fachin, manteria a pressão imediata sobre o futuro do ministro investigado.
O caso chegou ao plenário depois que o Estadão revelou, no início de setembro, detalhes de mais de 50 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, o que deflagrou a maior crise interna já registrada na história do Supremo.