A patricinha bolivariana Natália Bonavides era considerada imbatível no Rio Grande do Norte. Hoje é coadjuvante. E a culpa é dela mesma.
O discurso radical que funcionou nas primeiras eleições foi se tornando pesado demais até para as alas internas do PT. A falta de diálogo, a postura intransigente e a perseguição sistemática a Natal, cidade que é seu maior reduto eleitoral e que não recebe uma emenda relevante para infraestrutura do seu mandato federal, foram corroendo o capital político que ela acumulou.
Dentro da própria federação, Natália perdeu votos para Thabatta Pimenta e Brisa Bracchi. Do outro lado, o crescimento de Dr. Bernardo, que deve superar 130 mil votos, comprime ainda mais o espaço dela no campo progressista. Natália será reeleita, mas com votação bem inferior ao estouro que esperava e que ela mesma acreditava que teria.
Para piorar, a campanha de Nina Souza tem muito mais força em Natal do que a dela. É a reedição de 2024, quando Paulinho Freire, marido de Nina, venceu Natália na disputa pela prefeitura de Natal. A história se repete e a lição continua sem ser aprendida.
O caso mais emblemático da falta de maturidade política de Natália é a resistência por birra em apoiar Rafael Motta. Não tem argumento técnico, não tem divergência programática que justifique. É teimosia pura que prejudica o campo dela.
Para muitos grupos do PT, Natália é uma política mimada. A quantidade de votos das eleições passadas fez ela acreditar que tem superpoderes. Não tem. Tem um mandato que ela está desperdiçando.