O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, revelou em entrevista ao Jornal das 6, que protocolou notícia-crime na Procuradoria-Geral da República pedindo não apenas o afastamento, mas também a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O pedido foi feito individualmente pelo senador, na condição de cidadão, e endereçado ao vice-procurador-geral da República, e não ao procurador-geral Paulo Gonet, a quem Marinho classificou como estando "também sob suspeição". Assista no trecho abaixo:
O senador afirmou que o documento se baseia no relatório da Polícia Federal de quase 250 páginas, que reúne mais de 50 diálogos trocados entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, desde 2024. Segundo Marinho, as conversas revelam indícios de advocacia administrativa, obstrução de investigações e processos judiciais, tráfico de influência e contrapartidas financeiras que teriam incluído contratos com o escritório da esposa do ministro, viagens em aviões particulares, festas e cartões de crédito para os filhos do magistrado.
"A coisa escalou de uma maneira que eu imaginava impossível de acontecer com um ministro do Supremo Tribunal Federal", declarou o senador, acrescentando que ainda faltam ser analisados seis celulares de Vorcaro que permanecem sob investigação.
Além do pedido de prisão contra Moraes, Marinho enviou ofício ao presidente Lula solicitando o afastamento provisório do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A cobrança ocorre no mesmo dia em que veio a público o depoimento de Vorcaro ao ministro André Mendonça, no qual o banqueiro afirma ter sido ameaçado de prisão e relata que tentou por três vezes fechar uma delação que envolveria o núcleo de poder do PT, mas que a proposta não avançou por falta de interesse da própria Polícia Federal. Segundo o depoimento, Vorcaro atribui ao diretor-geral da PF participação direta no crescimento do Banco Master, com presença em eventos e encontros frequentes com o próprio banqueiro.
"É muito grave o que está acontecendo com a República, porque quem vigia o vigia?", questionou Marinho, ao defender que a instituição responsável por apurar o caso não pode estar sob comando de quem também aparece mencionado nas revelações.
O senador destacou ainda que o Senado, instância que poderia dar andamento a processos de impeachment contra Moraes, está paralisada pela omissão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que não pauta nenhum dos pedidos protocolados contra o ministro. "Está claro que o Supremo não vai promover a autocontenção que se espera", afirmou.