Em entrevista ao Jornal das 6, o senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou um extenso rol de irregularidades que, segundo ele, teriam sido cometidas pelo ministro Alexandre de Moraes ao longo dos últimos anos, e cobrou uma postura mais firme do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, para levar o caso a julgamento no plenário da Corte.
Segundo o senador, Moraes teria promovido uma "hipertrofia" e "invasão de competências" no sistema de Justiça brasileiro, subvertendo o modelo acusatório ao acumular, num mesmo processo, os papéis de investigador, acusador e julgador. Como exemplo, Marinho citou o processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que classificou como conduzido "de forma absolutamente arbitrária", com restrição ao direito de defesa e supressão de instâncias, inclusive do foro que seria aplicável a ex-presidentes da República.
O senador também retomou o episódio conhecido como "Vaza Toga", ocasião em que oficiou o Conselho Nacional de Justiça pedindo a investigação do juiz auxiliar Airton Vieira, apontado em mensagens vazadas por orientar o delegado Fábio Tagliaferro a buscar provas contra adversários políticos de Moraes, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo Marinho, ao ser informado de que não havia provas contra o alvo investigado, o assessor teria recomendado que o delegado "usasse a criatividade". Para o senador, o CNJ tratou o episódio com passividade, e a grande imprensa, segundo ele, "achou isso normal e continua enaltecendo" o ministro.
Diante desse quadro, Marinho defendeu que cabe agora ao ministro Fachin, presidente do STF, adotar uma postura de "altivez" e levar a discussão ao plenário da Corte, permitindo que o caso seja analisado de forma transparente por todos os ministros. "Não é de apontar o dedo para quem quer que seja, mas colocar essa discussão no plenário para que possa ser vista por todos nós, brasileiros", afirmou o senador, que classificou o episódio como um "debate pedagógico" para a sociedade.
O senador criticou a demora do STF em dar uma resposta institucional ao caso. "Não dá para ficar com esse cadáver em cima da mesa por muito tempo", disse, referindo-se à nota divulgada por Fachin informando que tomaria providências "no momento adequado". Marinho afirmou esperar que a resposta venha já na próxima semana.
O senador aproveitou a entrevista para confirmar sua presença em atos de mobilização marcados para 7 de setembro em diversas capitais do país, entre eles um evento na Avenida Paulista, em São Paulo, e outro no Largo do Ateneu, em Natal, a partir das 15h, com a presença do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar.