Editorial: O céu dos MPs e a realidade das ruas
Os Ministérios Públicos no RN, federal, estadual e do trabalho, grandes cultores da ciência e desconstrutores da economia local, estudam eventual ação judicial para barrar a retomada das atividades econômicas no RN. Segundo eles, o objetivo é salvar vidas pelo confinamento em casa e isolamento social mascarado. Ótimo! Se todos ganhassem mais de 30 mil reais por mês e trabalhassem no ambiente virtual, em casa, como os procuradores e promotores “salvadores de vidas”, não haveria um modelo que fosse mais perfeito. Porém, “Zé das Cuias”, “Chico picolezeiro”, “João dos cintos”, e centenas de milhares de outros anônimos, precisam sobreviver trabalhando no mundo real, presencial, e para ganhar ao menos 800 reais por mês ou um auxilio emergencial federal de 600. Observem a diferença de realidades: 30 mil reais mensais e trabalho virtual x 800 ou 600 reais mensais na rua, no risco, na aglomeração. O paraíso no qual vivem os MPs não se sustenta sem a massa trabalhadora e empreendedora que paga impostos. Por que os “limpinhos e perfumados” não renunciam a 30% dos seus vencimentos até o final da pandemia?
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