A eleição de domingo (4/10), que renovou 54 das 81 cadeiras do Senado Federal, deve resultar em uma Casa com força suficiente para a oposição ao governo Lula eleger o próximo presidente do Senado, cargo que será disputado em fevereiro de 2027. Segundo projeções da Agência Senado e de levantamentos como o do Poder360, a bancada de oposição pode chegar a 43 das 81 cadeiras — acima da maioria absoluta de 41 votos necessária para a escolha do comando da Mesa Diretora.
O resultado das urnas consolidou o PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, como a maior bancada do Senado desde a Constituição de 1988: com 19 novos eleitos, a legenda chegará a 28 cadeiras em fevereiro, superando o recorde anterior, do então PMDB, que abriu 1999 com 27 senadores. PT, MDB, União Brasil e PP completam as bancadas seguintes, com 9, 8, 6 e 6 integrantes, respectivamente.
É dentro desse novo tabuleiro que ganha força a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado, nome que já desponta com o apoio de Flávio Bolsonaro para comandar a Casa a partir do próximo ano. A aposta do PL é capitalizar o tamanho inédito de sua bancada para emplacar um nome alinhado ao bolsonarismo no comando do Legislativo.
Outro nome que circula nos bastidores como alternativa competitiva é o de Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura e uma das lideranças mais respeitadas do agronegócio no Congresso. Caso avance, sua candidatura tende a buscar uma base mais ampla, somando votos de centro e de parte do próprio campo governista, em uma estratégia de pacificação que contraste com o perfil mais associado ao bolsonarismo de Marinho.
Apesar da força numérica da oposição, a disputa pela presidência do Senado nunca é apenas aritmética. Historicamente, acordos entre as principais bancadas e barganhas por cargos nas comissões e na Mesa Diretora definem o nome vencedor, que costuma emergir de uma negociação ampla, e não de um simples somatório de votos de um único campo político.
Os limites da nova maioria
Mesmo com a perspectiva de eleger o presidente da Casa, a oposição não deve reunir força suficiente para outras pautas que exigem quóruns mais altos. Enquanto 41 votos bastam para a escolha da Mesa Diretora, a aprovação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) exige 49 votos, e a condenação de um ministro do Supremo Tribunal Federal em processo de impeachment demanda 54 votos — dois terços da Casa. Nos dois casos, a bancada de oposição projetada ficará abaixo do necessário.
A nova composição, ainda assim, representa uma guinada significativa em relação ao Senado atual, no qual a oposição ocupa hoje 34 cadeiras, os governistas somam 30 e os senadores considerados "flutuantes" chegam a 17. Com o avanço das urnas, o equilíbrio de forças deve se inverter de forma mais nítida a favor do campo oposicionista a partir de fevereiro de 2027, quando os eleitos em 2026 tomam posse.